Quinta, 16 de julho de 2026
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Arte e Cultura / 25/06/2026
Autor

Alô Chapada

Ahgave une amor, protesto e ancestralidade no novo álbum ‘Kanjinjin’

O artista mato-grossense Ahgave acaba de lançar Kanjinjin, álbum independente e com oito faixas que transitam entre reggaeton, afrobeat, cumbia, lambadão mato-grossense e outras sonoridades afro-latino-americanas, o trabalho propõe uma reflexão sobre afetos, liberdade, masculinidade, relações humanas e resistência cultural, conectando experiências íntimas a questões sociais e políticas contemporâneas.

Inspirado na tradicional bebida de origem africana produzida há gerações em Vila Bela da Santíssima Trindade (MT), Kanjinjin empresta seu nome de um símbolo de permanência e resistência.

Feita artesanalmente com aguardente, mel e especiarias, a bebida atravessou séculos de escravidão, abandono colonial e transformações sociais sem perder sua essência, tornando-se uma metáfora perfeita para o universo narrativo do álbum.

Sobre Kanjinjin

Ao lado de ritmos como cumbia, afrobeat e reggaeton, o ajuda a construir uma sonoridade que conecta Mato Grosso ao restante da América Latina e às diásporas africanas, reforçando a ideia de pertencimento a uma cultura que ultrapassa fronteiras nacionais. “Kanjinjin é um gole contra a monocultura de grãos e afetos”, resume Ahgave.

Como um dos elementos mais marcantes de Kanjinjin, o reggaeton acompanha Ahgave desde 2009 em sua experiência temporária no México, o gênero aparece não apenas como referência musical, mas como afirmação identitária, já que que atravessa fronteiras da América Latina e do Caribe, aparece no álbum não apenas como referência musical, mas como um símbolo da conexão entre diferentes culturas afro-latino-americanas.

Ao lado de ritmos como cumbia e afrobeat, ajuda a construir uma sonoridade que aproxima Mato Grosso do restante da América Latina. Pela mistura de influências e pela herança afro-diaspórica, reforçando a ideia de pertencimento a uma cultura que ultrapassa fronteiras nacionais. “Kanjinjin é um gole contra a monocultura de grãos e afetos”, resume Ahgave.

Em parceria com o produtor e "arquiteto sonoro" que une na tradição e inovação, música de rua e de conservatório musical Vibox, o álbum amadureceu entre viagens, estudos sobre ritmos afro-caribenhos e uma extensa pesquisa artística que começou ainda durante a pós-produção de Dancerrala (2023), trabalho anterior do artista.

O resultado é uma obra que dialoga simultaneamente com o rap, o reggae, a música latina e as manifestações culturais populares de Mato Grosso.

Embora cada faixa tenha identidade própria, todas são atravessadas por um mesmo fio condutor: histórias vividas, observadas ou compartilhadas pelo artista em espaços frequentemente marginalizados pela sociedade, nas esquinas, botecos, hotéis, bailes de rua, rodas de rima, festas populares e encontros improvisados. São narrativas que abordam desde romance e autoconhecimento até críticas ao agronegócio latifundiário, ao machismo e aos modelos tradicionais de relacionamento.

Entre os destaques do álbum estão as faixas “Sereia” e “Agrocídio”, ambas construídas sobre bases dançantes de reggaeton. Enquanto “Sereia” mergulha em uma história de amor marcada pela liberdade afetiva, “Agrocídio” transforma questões ambientais e sociais em uma narrativa intensa e provocativa.

A vulnerabilidade também ocupa lugar central no trabalho. Em “Pá Aprende”, Ahgave revisita experiências pessoais para refletir sobre masculinidade, casamento e violência emocional, propondo um diálogo franco sobre os desafios da reconstrução masculina.

Entre o passado e o futuro

A identidade visual do projeto também amplia as camadas narrativas do álbum. Utilizando inteligência artificial como ferramenta criativa, Ahgave e o cineasta Ricardo Cruz desenvolveram uma série de visualizers inspirados em fotografias, capas de discos famosas e estéticas que atravessam as décadas de 1970 a 2000, entre eles Buenas Vista Social Club e Bezerra da Silva.

As imagens recriam uma Cuiabá imaginária e atemporal, dialogando com referências da cultura popular brasileira, do muralismo latino-americano e da filosofia africana Sankofa, conceito que propõe revisitar o passado para recuperar conhecimentos capazes de transformar o presente.

Mais do que reproduzir nostalgia, a proposta visual busca destacar elementos culturais ameaçados pelo apagamento estético e pelas transformações urbanas aceleradas.

Para Ahgave, Kanjinjin representa um momento de amadurecimento criativo. É o primeiro trabalho em que amor e política ocupam o mesmo espaço narrativo e também o primeiro realizado sem recursos públicos ou patrocínios privados.

“Foi um álbum cozinhado em fogo baixo. Tive tempo para amadurecer as letras, os conceitos e os instrumentais. Por isso ele tem um sabor diferente para mim”, afirma.

Agora, o artista prepara uma nova etapa para o projeto, com apresentações que incorporam dança, direção de arte, cenografia e iluminação, transformando o show em uma experiência multissensorial.

Mais do que um álbum, Kanjinjin é um convite. Um convite para entrar em um boteco imaginário onde convivem o fim e o recomeço do mundo, onde amor e política caminham juntos e onde resistir também pode ser uma forma de celebrar.

Disponível nas principais plataformas digitais

ONDE OUVIR:

Spotify
https://open.spotify.com/intl-pt/album/1brFdSjhUbCMUWQvjcflZQ?si=w-g5Lbc9Qk2fUSfSLo0tIQ

Youtube
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