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Com informações do Circuito MT
Bordadeiras de Chapada mantêm tradição artesanal há 15 anos
O grupo Bordadeiras de Chapada dos Guimarães completa 15 anos de atuação preservando referências culturais e histórias locais por meio do bordado artesanal. O coletivo surgiu após um curso ministrado pelo Grupo Matizes Dumont, de Minas Gerais, e se estabeleceu no município a 60 km de Cuiabá.
A iniciativa foi idealizada pela arte educadora Louriza Boabaid, que registrou desenhos e traços originais adotados como base para bordados feitos por mulheres da comunidade. O trabalho tornou-se prática artesanal, terapêutica e alternativa de geração de renda.
A principal característica do coletivo é a escolha de temas relacionados à paisagem, à fauna, à flora e aos costumes regionais. As peças incluem toalhas, vestidos, aventais, almofadas, bolsas e etiquetas de bagagem, vendidos na sede do grupo e também por encomenda.
As atividades acontecem no espaço das Bordadeiras, nas proximidades da Rua Coberta, no centro da cidade. O local oferece cursos contínuos de bordado e já recebeu cerca de 500 alunas. As aulas são coordenadas por Emília e ministradas por artesãs mais antigas do grupo. Além do bordado, são oferecidas aulas de dança para aliviar tensões e melhorar a postura das participantes.
As reuniões são abertas ao público às quartas, sextas e sábados, das 14h30 às 17h, na Rua Santo Antônio, 106. Durante os encontros, as bordadeiras dividem materiais e técnicas enquanto compartilham histórias e experiências do cotidiano.
As peças retratam ícones culturais e turísticos, como a Igreja de Santana (símbolo do coletivo), cachoeiras, paisagens da Chapada, ditos cuiabanos, trechos de poesias, flora e fauna do cerrado e elementos do folclore, como o personagem Troá. Os produtos já circularam em eventos de moda, exposições e programas de TV nacionais e internacionais, além de redes sociais.
O grupo expandiu suas atividades com oficinas de pintura em tecido e um curso voltado a turistas para confecção de bonecas africanas Abayomis, tradição histórica ligada às populações negras trazidas em navios negreiros. A participação ocorre mediante agendamento por agência de viagens e gera renda complementar para a manutenção do espaço e remuneração das artesãs.
A sede das Bordadeiras é hoje um ponto de visitação cultural para quem chega a Chapada dos Guimarães, reunindo memória, artesanato e elementos da cultura popular regional preservados por mãos que registram, com técnica e criatividade, o cotidiano do cerrado mato-grossense.