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Com informações de Olhar Conceito
Artista de MT vira “pássaro” e surpreende público com performance histórica na Bienal
O artista Gervane de Paula realizou, neste sábado (13), a performance inédita “Seja artista, seja animal” durante a Bienal Internacional de São Paulo. A ação aconteceu no segundo pavimento do Pavilhão da Bienal, espaço que reúne cerca de 500 obras de artistas mato-grossenses, incluindo aproximadamente cinquenta trabalhos do próprio Gervane expostos na mostra.
Na performance, o artista assume a figura de um “artista-pássaro”, caracterizado como um tuiuiú, ave símbolo do Pantanal, criando uma cena que misturou arte, corpo e território em meio ao público.
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Bicicleta, presentes e interação com o público
Sobre uma bicicleta adaptada, Gervane circulou por vários minutos entre as obras que integram sua participação na Bienal. Nas extremidades do veículo, ele carregava pequenos objetos produzidos em grande quantidade, que foram entregues ao público ao longo do percurso, reforçando a interação direta com os visitantes.
A ação também incluiu um machado de madeira, elemento recorrente em sua produção artística, ampliando o diálogo com temas sociais, ambientais e territoriais ligados ao Centro-Oeste brasileiro.
Símbolo do Pantanal como fechamento de ciclo
Segundo o artista, a performance marcou o encerramento simbólico de sua participação no evento.
“A ideia foi fechar com êxito essa empreitada [de estar na Bienal de São Paulo], com uma performance cujo o personagem é um dos símbolos mais ordinários e bonitos do Pantanal mato-grossense, o tuiuiú. Sobre uma bicicleta circulei por vários minutos entre as minhas obras que estão presentes na Bienal. Na cargueira, carregava presentes, pequenos objetos fabricados por mim, que foram entregues a pessoas importantes que acompanham a minha trajetória”.
Holofotes internacionais para a arte de Mato Grosso
Em entrevista ao Olhar Conceito, Gervane destacou que a participação na Bienal ampliou o alcance de sua obra e projetou a produção artística feita em Mato Grosso para além das fronteiras do país.
“Foi a Bienal que levou a imprensa jornalística nacional e, principalmente, a internacional, que me colocaram como um artista brasileiro. isso foi o máximo. É com muito orgulho que acredito que, em primeiro lugar, represento a presença de um artista mato-grossense e cuiabano na Bienal”.
Trajetória consolidada no Brasil e no exterior
Nascido em Cuiabá, em 1961, Gervane de Paula é artista autodidata e atua com desenho, pintura, objetos e instalações. Sua obra já circulou por importantes instituições nacionais e internacionais, como o Art Museum of the Americas, em Washington, o Bronx Museum of the Arts, em Nova York, e o California African American Museum, em Los Angeles, além do Museu de Arte de São Paulo, Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro e Pinacoteca de São Paulo.
Em 2024, o artista apresentou a exposição individual “Como é bom viver em Mato Grosso”, também na Pinacoteca de São Paulo.
Arte, território e identidade
A performance Seja artista, seja animal reforça a presença de um artista mato-grossense em um dos maiores eventos de arte contemporânea do mundo e reafirma a relação direta entre a produção de Gervane de Paula e o território que molda sua experiência artística.