Quinta, 16 de julho de 2026
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Arte e Cultura / 04/05/2026
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Saber ancestral das redeiras de Limpo Grande será transformado em acervo documental

Pelas mãos das mulheres de Limpo Grande, em Várzea Grande, fios se transformam em redes, sustento, memória e identidade. Agora, esse saber-fazer transmitido de geração em geração, por meio da tradição oral e da convivência familiar, será registrado em um inventário inédito dedicado às redeiras da comunidade.

O projeto é realizado pela Associação Tece Arte por meio do edital “Inventários de Patrimônio Imaterial de Mato Grosso – edição Política Nacional Aldir Blanc (PNAB)”, promovido pela Secretaria de Estado de Cultura, Esporte e Lazer (Secel-MT). A iniciativa vai documentar, pela primeira vez, os saberes seculares das artesãs locais, transformando uma prática mantida por décadas dentro das famílias em um acervo digital de consulta pública.

Mais do que preservar uma técnica artesanal, o inventário busca reconhecer a tecelagem de Limpo Grande como patrimônio imaterial, marcado pela presença feminina, pela resistência cultural e pela construção de autonomia social e econômica.

“Não estamos registrando apenas um objeto de decoração, mas uma tecnologia ancestral de resistência feminina. Mais do que fios e nós, o que se produz em Limpo Grande é memória viva”, afirma a coordenadora do projeto, Ester Moreira Almeida.

Com lançamento previsto para junho deste ano, o Inventário do Patrimônio Imaterial das Redeiras de Limpo Grande está atualmente na fase de entrevistas. O trabalho reúne imagens, depoimentos e registros detalhados de todo o processo de produção das redes, desde a colheita e o preparo da matéria-prima até o acabamento dos padrões que deram reconhecimento às peças produzidas em Várzea Grande.

Durante décadas, os conhecimentos das redeiras permaneceram guardados no cotidiano das casas, nos gestos repetidos diante dos teares de madeira e nas orientações passadas de mãe para filha. O projeto mergulha nesse universo para registrar aspectos que, muitas vezes, ficaram invisíveis aos olhos de quem vê apenas o produto final: os nomes dos pontos, a simbologia das cores, as etapas do fazer manual e as histórias de mulheres que transformaram o artesanato em trabalho, renda e expressão cultural.

Para Ester, o inventário representa também um tributo às mestras redeiras, responsáveis por manter viva uma tradição que atravessa o tempo e segue como símbolo de pertencimento para a comunidade de Limpo Grande.

“Ao sistematizar esse conhecimento, a Associação Tece Arte, com apoio da Secel, não apenas protege o passado, mas projeta o futuro. O projeto reafirma que, enquanto houver mãos tecendo em Limpo Grande, o patrimônio brasileiro continuará pulsando”, conclui.

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