Segunda, 02 de março de 2026
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Arte e Cultura / 22/01/2026
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Fonte Olhar Conceito

Joia xinguana usada por Anitta vira destaque em loja de artesanato no aeroporto de Cuiabá

A chamada joia da mulher xinguana, adorno tradicional produzido artesanalmente por mulheres indígenas do Xingu, ganhou projeção nacional após ser usada pela cantora Anitta durante uma visita à região. Agora, a peça se tornou um dos destaques da loja Angatu, instalada há cerca de um ano e oito meses no Aeroporto Internacional Marechal Rondon, em Cuiabá, onde tem despertado curiosidade de turistas e moradores.

Mais do que um acessório estético, o colar carrega significados profundos ligados à identidade, ao pertencimento e às tradições culturais das aldeias. Feita à mão com fibras naturais de algodão, a joia integra o cotidiano e os rituais das mulheres indígenas, sendo utilizada em cerimônias, festas e momentos marcantes da vida comunitária.

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Em entrevista ao Olhar Direto, a atendente Caroline Gonçalves de Oliveira explica que, em muitas culturas indígenas, o adorno é visto como uma extensão do próprio corpo e da história de quem o usa. “No contexto do Xingu, esses acessórios são chamados de joia da mulher xinguana porque representam ornamentos tradicionais usados em rituais de passagem e eventos importantes. Eles não se limitam à estética, mas carregam saberes ancestrais transmitidos de geração em geração”, afirma.

A Angatu trabalha com artesanato produzido por mais de 27 etnias brasileiras e também por povos originários do Peru. Entre os grupos representados estão Mehinako, Kalapalo, Waura, Trumai, Yanomami, Umutina, Enawene Nawe, Karajá, Kamaiurá, Yawalapiti, Kuikuro, Rikbaktsa, Myky, Kaiabi e Chiquitanos, entre outros.

O modelo de funcionamento da loja é baseado em parceria direta com os artesãos indígenas. São eles que levam suas peças — como colares, cerâmicas, bancos esculpidos em madeira e trabalhos em miçanga — e definem o valor considerado justo pelo próprio trabalho. A loja aplica apenas uma margem reduzida para manter a operação.

“É um trabalho realmente de parceria. O artesão chega, apresenta sua arte e diz o preço que considera justo. A partir disso, buscamos um pequeno lucro, mas o foco é que o negócio seja sustentável para todos: para o artesão indígena e para o cliente”, explica Caroline.

Mesmo localizada em um aeroporto internacional, a Angatu atrai um público diverso. Além de turistas estrangeiros, moradores de Cuiabá e de outras cidades de Mato Grosso passaram a frequentar o espaço e se tornaram clientes fiéis. As peças variam de pequenos objetos, pensados como lembranças, até obras de maior porte, cujo processo de produção pode levar até dois anos.

“Hoje vendemos para países como Estados Unidos, Japão, Emirados Árabes Unidos e Índia. Temos produtos de vários valores, desde lembrancinhas até bancos de madeira”, destaca a atendente.

A loja é administrada por dois irmãos que viveram por muitos anos em Mato Grosso e mantêm uma relação próxima e respeitosa com a cultura indígena, especialmente do Xingu. Segundo Caroline, a Angatu é o primeiro empreendimento dos dois e já existem planos de expansão do projeto, sempre mantendo o compromisso com a valorização da arte indígena e a geração de renda direta para os povos originários.

 

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