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Da Redação
Artista cigano de MT expõe na ONU e ganha projeção internacional em Genebra
O artista cigano mato-grossense Aluízio de Azevedo, 46, teve seu trabalho reconhecido internacionalmente com a inclusão de suas obras na exposição “Arts, Minorités & Droits Humains” (Artes, Minorias e Direitos Humanos), organizada pelo Escritório de Direitos Humanos da ONU, em Genebra, na Suíça. A mostra reúne trabalhos de 30 artistas de minorias globais e fica aberta ao público até 31 de agosto.
Nascido em Tangará da Serra e radicado em Cuiabá, Aluízio é autodidata, pintor, cineasta, jornalista e pesquisador. Criado na zona rural sem energia elétrica nem água encanada, ele encontrou na literatura e na educação o caminho para transformar sua realidade. Além da graduação e mestrado, é doutor e pós-doutor pela Fiocruz.
Sua produção dialoga diretamente com a identidade cigana e o combate ao racismo estrutural. "Sair desse lugar de exclusão sendo cigano é desafiador. Para mim, o artista é alguém que consegue olhar à frente do seu tempo e fazer críticas sociais", destaca. A profissionalização nas artes plásticas contou com o incentivo crucial da artista Eliana Mara. No audiovisual, destaca-se seu documentário Calon: Olhares Ciganos (2012).
Servidor do Ministério da Saúde e Conselheiro Estadual de Promoção de Igualdade Racial (CEPIR/MT), Aluízio defende o potencial da arte mato-grossense. "Os artistas regionais são de primeira linha e não perdem em nada para o circuito nacional ou internacional. O que falta é mais investimento e incentivo financeiro", aponta, citando João Sebastião, Gervane de Paula e Adir Sodré como suas grandes inspirações.