Autor
Sheila Klener
Ouro, Verde e Tecnologia: O Novo Horizonte Mineral de Mato Grosso
Mato Grosso já é consagrado mundialmente como a potência do agronegócio. Entretanto, o que muitos ainda não perceberam é que o estado consolidou-se, entre 2025 e 2026, como um dos eixos mais estratégicos da mineração brasileira. Como geóloga e servidora pública, acompanhei de perto na Assembleia Legislativa a discussão do PL 1952/2025, proposto pelo Deputado Max Russi, que cria a Política Estadual de Geologia e Recursos Minerais. Este projeto não é apenas uma burocracia, mas o alicerce para o futuro econômico do nosso estado.
A premissa é simples: sem recurso mineral, não há vida moderna. Da tela do seu celular à correção do solo na lavoura, tudo depende do que extraímos com técnica e responsabilidade.
Números que Falam por Si
Em 2024, a produção mineral metálica de Mato Grosso atingiu a marca histórica de R$ 5,064 bilhões, posicionando-nos como a 6ª maior força mineradora do Brasil. O ouro continua sendo nossa âncora econômica, com um faturamento de R$ 3,9 bilhões concentrado em polos como Poconé, Pontes e Lacerda e Peixoto de Azevedo.
Mas a verdadeira "virada de chave" está na diversificação:
- Economia Verde: O projeto polimetálico em Aripuanã (zinco, cobre e chumbo) nos coloca na rota global de baterias e tecnologias limpas.
- Base Agrícola: O calcário mato-grossense segue sendo o pilar silencioso que garante nossas safras recordes.
- Futuro Estratégico: O Serviço Geológico do Brasil (SGB) já aponta alto potencial para Terras Raras no norte do estado, uma fronteira bilionária ainda a ser explorada.
Por que a nova Política Estadual é urgente?
O setor mineral cresceu 10,3% em 2025 no Brasil. Para que Mato Grosso lidere esse crescimento, precisamos de estímulo à pesquisa. Só conhecendo profundamente nosso subsolo saberemos nosso real potencial. Além disso, a nova política busca organizar o setor, mitigando impactos ambientais e garantindo que a riqueza gerada retorne à sociedade.
A mineração é uma fonte vital de receitas diretas. Em 2024, mais de 80 municípios mato-grossenses foram beneficiados com repasses da CFEM (royalties da mineração), dinheiro que se transforma em saúde, educação e infraestrutura na ponta, onde o cidadão vive.
Conclusão
Aprovar e implementar a Política Estadual de Geologia é entender que a mineração e o agronegócio não são excludentes, mas sim irmãos siameses no desenvolvimento de Mato Grosso. Estamos diante de uma oportunidade histórica de transformar pedras e metais em progresso social e inovação tecnológica
Sheila Klener é deputada estadual, servidora pública e geóloga