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Info Verus
Exposição sobre o Pantanal faz sua estreia no Museu de Ciências em Londres
A exposição já atraiu cerca de 600 mil visitantes em diversas cidades — São Paulo, Rio de Janeiro, Hamburgo, Lisboa e Berlim — e agora busca conquistar o público britânico para enriquecer o diálogo sobre o tema.
Após episódios de incêndios devastadores e uma novela popular, o brasileiro teve um novo olhar sobre o Pantanal. Essa análise vem da empreendedora social Teresa Bracher e da produtora Mônica Guimarães, que estão lançando em Londres a exibição “Água Pantanal Fogo” no Science Museum Exhibition.
As paredes da exposição exalam a força das fotografias de Lalo de Almeida e Luciano Candisani, retratando a dualidade do bioma: a beleza de suas águas e a brutalidade dos incêndios. Candisani, biólogo e fotógrafo de ecossistemas ao redor do mundo, compartilha o espaço com Lalo, que documentou os incêndios históricos de 2020 e 2024.
As fotografias vêm acompanhadas de informações que ajudam a entender a extensão territorial, o ciclo de cheias e secas, além das ameaças que cercam a maior planície alagada do planeta.
Em conversa com a Coluna de Alice Ferraz, as fundadoras do Documenta Pantanal ressaltam que a exposição se tornou um indicador desse novo interesse pelo tema.
“Observamos um sinal do impacto da exposição pela demanda que temos recebido. Outras iniciativas de diálogo estão surgindo em relação ao Pantanal, impulsionadas pela exposição. Há um intercâmbio internacional sobre questões ambientais que pode trazer benefícios reais para o Pantanal”, afirmam Guimarães e Bracher.
Os dados são alarmantes e ajudam a compreender a urgência da situação. Em 2020, o bioma enfrentou uma grave estiagem, com precipitações 50% inferiores à média. Com menos áreas alagadas, a vegetação ficou exposta e quase um terço foi consumido pelas chamas.
Esse foi considerado até então o pior ano da história recente, superado em 2024. De acordo com o Relatório Anual do Fogo do MapBiomas, 93% das queimadas ocorreram em vegetação nativa. Somente no ano passado, 2,2 milhões de hectares foram consumidos pelo fogo, afetando mais de 17 milhões de animais.
Na exposição, uma imagem de um jacaré submerso entre peixes convive com a de um bugio carbonizado.