Cinemato bate recorde com 598 filmes inscritos para edição de 2026
Criado há 33 anos, quando Cuiabá tinha apenas uma sala de cinema comercial, o Festival de Cinema de Cuiabá chega à 23ª edição em 2026 com um novo recorde: 598 filmes inscritos de todo o país, entre curtas e longas-metragens. O Cinemato será realizado entre os dias 29 de junho e 5 de julho, no Teatro da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), em Cuiabá.
Na edição anterior, em 2025, o festival havia recebido 458 inscrições em apenas nove dias. Neste ano, as produções inscritas vieram de 26 estados e do Distrito Federal. São Paulo lidera o número de filmes enviados, seguido por Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul, Mato Grosso, Minas Gerais e Pernambuco.
Considerado um dos principais espaços de difusão, formação e valorização do cinema nacional, o Cinemato 2026 terá como tema “Migração – mobilidade humana e mudanças climáticas”. A proposta é usar o cinema como ponto de partida para discutir deslocamentos humanos, pertencimento, diversidade cultural, impactos ambientais, refugiados climáticos, fronteiras, identidades culturais e direitos humanos.
A 23ª edição homenageia o cineasta, dramaturgo, ator, diretor teatral e preparador de elenco Amauri Tangará, definido pela organização como “o migrante que abraçou o cinema em Mato Grosso”. Nascido em Paranavaí, no Paraná, ele vive em Chapada dos Guimarães e tem trajetória profundamente ligada à cena cultural mato-grossense, ao lado da produtora Tati Mendes.
A Mostra Competitiva reunirá 15 curtas e sete longas-metragens, entre produções nacionais e mato-grossenses. Os vencedores receberão o tradicional Troféu Coxiponé, concedido pelo Júri Oficial e pelo Júri Popular. Durante as mostras, o público também poderá votar nos melhores filmes.
A programação deve exibir cerca de 50 produções, entre curtas e longas-metragens. Além das sessões competitivas, o festival contará com rodas de conversa e ações formativas voltadas ao fortalecimento do audiovisual brasileiro, como oficinas de Direção, Assistência de Direção, Montagem e Elenco.
Também estão previstas atividades como o seminário “Migração, Mobilidade Urbana e Mudanças Climáticas”, encontros com realizadores, ações culturais paralelas com o Cinema Paradiso em instituições, Cinema Escola na UFMT, Sessões Queimada Cuiabana e Melhor Idade, além do Hour Concurs.
Ao Sul de Setembro, filme de Amauri Tangará – Créditos – Divulgação
Homenageado
Amauri Tangará é um dos nomes de destaque das artes cênicas e do audiovisual brasileiro, com mais de cinco décadas dedicadas à cultura. Roteirista, cineasta, dramaturgo, diretor teatral, ator e preparador de elenco, construiu uma trajetória marcada por obras conectadas às identidades populares e aos territórios do chamado Brasil profundo.
No cinema, dirigiu e roteirizou produções como A Oitava Cor do Arco-Íris, Ao Sul de Setembro, Nenhures e Um Rosto em Praga. Também codirigiu filmes como Mata Grossa, NÓS – A Metade de Tudo e De Amor e Liberdade.
Tangará também dirigiu séries audiovisuais como O Pantanal e Outros Bichos, exibida na Amazon Prime, Pluto TV, TV Cultura e TV Brasil. Além da produção artística, atua na formação de novos realizadores por meio das oficinas de cinema “O Terceiro Olhar”, realizadas em países da América, África e Europa, reunindo mais de 1,2 mil participantes em mais de 60 edições.
No teatro, soma mais de 30 espetáculos escritos, adaptados ou dirigidos, consolidando-se como uma das vozes da dramaturgia contemporânea brasileira. Seu trabalho transforma experiências locais em narrativas universais e rompe fronteiras regionais.
História
Criado em 1993 pelo doutor e cineasta Luiz Borges, inicialmente como Mostra de Cinema e Vídeo de Cuiabá, o Cinemato nasceu como um ato de resistência cultural em um período em que a capital mato-grossense tinha apenas uma sala de cinema comercial.
Ao longo de 33 anos, o festival tornou-se referência nacional na formação de público, no debate crítico e na valorização do cinema brasileiro. A mostra também revelou e premiou nomes importantes do audiovisual, como Dira Paes, Fernando Meirelles e Hilton Lacerda.
Nesta edição, também será entregue o 2º Prêmio Dira Paes, destinado a uma mulher mato-grossense com trajetória relevante na defesa das mulheres e do meio ambiente. A premiação leva o nome da atriz paraense, que tem forte ligação histórica com o festival e com pautas ativistas.
O Cinemato 2026 conta com apoio oficial do Governo de Mato Grosso, por meio da Secretaria de Estado de Cultura, Esporte e Lazer (Secel-MT).