Quarta, 18 de fevereiro de 2026
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Arte e Cultura / 18/02/2026
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do Olhar Conceito

Banda da periferia de Cuiabá disputa vaga no Lollapalooza e mobiliza fãs em votação

A banda cuiabana Metrópole Sombrê, formada na periferia da capital mato-grossense, disputa uma vaga para se apresentar no Lollapalooza Brasil, um dos maiores festivais de música do país. A classificação depende de votação popular, aberta até o dia 24 de fevereiro, etapa que antecede a fase final, com curadoria oficial do evento.

O grupo nasceu no bairro Pedra 90, longe dos circuitos tradicionais da música, a partir da amizade entre dois jovens que se conheceram ainda no ensino médio. O projeto surgiu do desejo de produzir canções próprias e retratar, por meio da arte, as experiências urbanas vividas na periferia de Cuiabá.

A formação atual reúne Matheus Sousa Soares, vocalista, compositor e multi-instrumentista; Vitor Gabriel Brandão de Souza, guitarrista e responsável pela construção estética e sonora da banda; e Bianca Castilho Vivan, baixista. Antes de consolidar o trio, os integrantes enfrentaram mudanças e divergências criativas, mas mantiveram o propósito de investir na música autoral.

“Nosso sonho sempre foi tocar nossas próprias músicas e ver o público se conectar com o que a gente cria”, resume Vitor.

Com influências que transitam entre rock alternativo, indie e grunge, o repertório aborda temas como desigualdade, correria urbana, precariedade e sobrevivência. A vivência periférica aparece como elemento central da identidade do grupo, refletindo o cotidiano de quem cresce distante das regiões centrais da cidade.

Mesmo sem apoio institucional, a banda acumula mais de 20 apresentações, muitas organizadas de forma independente. Os próprios integrantes financiam gravações e projetos por meio da venda de produtos, arrecadações coletivas e reinvestimento de cachês.

“A maioria das bandas não recebe para tocar. A gente segue porque acredita na construção de uma cena”, afirma o guitarrista.

O primeiro single, lançado após o show de estreia, alcançou quase 14 mil reproduções nas plataformas digitais. O crescimento levou o grupo a dividir o palco, na Orla do Porto, com a banda Ratos de Porão, ampliando a visibilidade no cenário local.

Além das apresentações, os integrantes participam do Coletivo Capivara, que promove eventos e cria espaços para artistas independentes em Cuiabá. A iniciativa busca fortalecer a produção autoral e reduzir a falta de oportunidades no circuito cultural da cidade.

Hoje, a Metrópole Sombrê é a única representante de Mato Grosso na disputa por uma vaga no festival. Para os músicos, chegar ao palco do Lollapalooza significaria não apenas um avanço na carreira, mas também abrir portas para outros artistas periféricos.
“A gente não quer crescer sozinho. Se não for coletivo, a cena não se sustenta”, afirma Matheus.


 

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