Quarta, 08 de julho de 2026
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Arte e Cultura / 07/07/2026
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da Redação/Com informações Alô Chapada

"De Quilombo em Quilombo" leva espetáculo de dança a quintais tradicionais de Chapada

Entre julho e agosto de 2026, as comunidades tradicionais de Chapada dos Guimarães recebem a força, a memória e a ancestralidade do espetáculo de dança “Quilombo de Nanã”. Realizado pelo Grupo Elementares do Quilombo, em coprodução com a Roça de Sal – Viveiro Cultural, o projeto promove quatro apresentações gratuitas nos territórios Cambambe, Lagoinha de Cima, Itambé e Lagoinha de Baixo, devolvendo a obra aos espaços que inspiraram sua criação.

O projeto foi contemplado pelo Edital nº 18/2024/SECEL/MT (Viver Cultura – Edição PNAB – Ciclo 1), com recursos da Política Nacional Aldir Blanc de Fomento à Cultura. Para esta nova circulação, o grupo passou por oficinas de dança afro-brasileira e ensaios abertos, integrando novas artistas ao elenco: Laura Alvarenga (da Comunidade Ribeirinha Barra do Bom Jardim) e Néia Castro (da Comunidade Lagoinha de Baixo).

Memória familiar e processo coletivo

A produtora cultural Tatiana Reis, idealizadora e uma das artistas da cena, conta que o trabalho nasceu em 2021, durante o isolamento da pandemia, a partir de vivências comunitárias e do amadurecimento de um poema coletivo guiado por Oz Ferreira.

“Fomos soltando nossas lembranças, aquilo que nossos avós viviam e passavam, e daí nasceu esse poema. A Oz sempre nos encorajou a acreditar no trabalho das Elementares. No meio do processo, com as coreografias que fomos criando, nasceu um espetáculo de cerca de 40 minutos. Ele tem projeção, tem minha mãe recitando o poema e traz o sincretismo religioso. Homenageei meu avô, mas juntei muitos avós em um personagem só”, explica Tatiana.

Com direção e dramaturgia de Tatiana Reis e Oz Ferreira, a obra multimídia percorre lutas, musicalidades, religiosidades e oralidades locais. Para Oz Ferreira, sua função é atuar como uma provocadora artística em um grupo onde a construção é essencialmente horizontal. Ela explica que o título também propõe uma reflexão sobre território e os apagamentos históricos da região:

“Chapada tem essa coisa de ser chamada 'Chapada dos Guimarães', um nome que remete ao colonialismo português, como se a terra não fosse nossa. Quisemos trazer o Quilombo de Nanã para ressignificar esse pertencimento. Quando mexemos com essas memórias, passamos a ouvir de novo nossos avós falando de Ogum, de benzedeiras, tirando o véu de preconceito que muitas vezes cercava essas vivências.”

Trilha sonora original e conexões locais

Outro destaque da circulação é a trilha sonora original do espetáculo, produzida por Paulo Monarco e lançada em 2024. O álbum reúne as vozes das atrizes e participações de nomes como Pacha Ana, Dandara Modesto, além de uma composição de Tião Ferreira, importante e saudosa liderança comunitária local.

“Assisti ao espetáculo pela primeira vez em 2021, no quintal da Aldeia Velha, e foi emocionante", relembra Monarco. "Fui incumbido da missão de traduzir qual era o som desses corpos e dessas histórias. É um desafio grande, porque o espetáculo trata de um lugar de disputa de narrativa muito presente no Brasil, sobre gênero, raça e território.”

Durante a temporada, o álbum será distribuído para emissoras de rádio locais para alcançar moradores que acompanham a programação regional. A trilha também está disponível em plataformas como Spotify, Deezer e Apple Music.

Descentralização e Acessibilidade nos Quintais

Após passar por palcos imponentes como o Teatro Zulmira Canavarros, em Cuiabá, o espetáculo faz o caminho de volta para onde as histórias começaram. Para garantir que todos possam acompanhar, as apresentações terão intérprete de Libras e soluções personalizadas de acessibilidade para a estrutura de cada quintal.

“Eu sou quilombola e sei que quando morava na comunidade não tinha acesso à cultura", pontua Tatiana Reis. "A intenção é levar esses trabalhos para os quintais para que as pessoas se conheçam e se reconheçam. É uma logística complicada, que exige parcerias, mas é essencial abrir esses caminhos.”

SERVIÇO

De Quilombo em Quilombo — Temporada de "Quilombo de Nanã"

11 de julho | 18h – Quilombo Cambambe (Comunidade Pingador)

Local: Quintal do Sr. Teco e Dona Fifa (próximo à Cachoeira do Pingador)

26 de julho | 18h – Quilombo Lagoinha de Cima

Local: Quintal de Dona Maria Eterna

08 de agosto | 18h – Quilombo Itambé

Local: Quintal de Dona Chica

22 de agosto | 18h – Quilombo Lagoinha de Baixo

Local: Quintal do Sr. Eurico Carlos e Dona Flor

Entrada: Gratuita | Classificação: Livre

Acessibilidade: Intérprete de Libras (Larúbia Gualberto) e adaptações físicas espaciais em cada local.

Realização: Grupo Elementares do Quilombo e Roça de Sal – Viveiro Cultural.

Trilha Sonora: Ouça o álbum oficial no Spotify.

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