Terça, 09 de junho de 2026
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Foto : Prefeitura de Barra do Garças
Fatos-Notícias / 09/06/2026
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Info Verus

Mistérios, lendas e relatos de OVNIs colocam Mato Grosso na rota do ufoturismo

Conhecido pelas belezas do Pantanal, pelas cachoeiras da Chapada dos Guimarães e pela força do agronegócio, Mato Grosso começa a se destacar também por um segmento cercado de mistério. Relatos de objetos voadores não identificados, lendas regionais, formações naturais enigmáticas e histórias transmitidas ao longo de gerações vêm impulsionando o crescimento do chamado ufoturismo, modalidade que busca atrair visitantes interessados em fenômenos considerados inexplicáveis.

O tema ganhou ainda mais visibilidade durante a FIT Pantanal 2026, realizada em Cuiabá, que sediou a segunda edição da Jornada Brasileira de Ufoturismo. O encontro reuniu pesquisadores, gestores públicos e representantes do setor turístico para discutir o potencial econômico e cultural desse nicho, que começa a ganhar espaço dentro da estratégia de diversificação do turismo mato-grossense.

Entre os municípios que apostam nesse segmento estão Barra do Garças, Tesouro e Chapada dos Guimarães, locais frequentemente associados a histórias sobre aparições, fenômenos luminosos e narrativas que alimentam o imaginário popular.

Estado reúne décadas de relatos

Presidente da Associação Mato-grossense de Pesquisas Ufológicas e Psíquicas (AMPUP), Ataíde Ferreira da Silva Neto afirma que Mato Grosso possui um dos acervos mais ricos do país quando o assunto é ufologia.

Segundo ele, registros de supostos fenômenos aéreos são documentados há décadas e despertam interesse tanto de pesquisadores quanto de curiosos.

Após reforma, Barra do Garças reinaugura o primeiro discoporto do mundo em  setembro - Prefeitura Municipal de Barra do Garças“O Estado é rico em acontecimentos ufológicos. Temos um grande acervo de filmagens e registros desses fenômenos, o que desperta a curiosidade do público e atrai interessados por essa temática”, afirma.

Um dos episódios mais citados pelos estudiosos ocorreu ainda no século XIX. Em 1846, o militar e engenheiro Augusto Leverger relatou ter observado um objeto luminoso enquanto navegava pelo Rio Cuiabá. O registro foi publicado na Gazeta Oficial do Império do Brasil e é apontado por pesquisadores como uma das primeiras referências documentadas sobre um objeto voador não identificado na imprensa nacional.

Barra do Garças virou referência

Nenhuma cidade mato-grossense, porém, está tão associada ao tema quanto Barra do Garças.

Localizada às margens do Rio Araguaia, a cidade construiu ao longo dos anos uma identidade fortemente ligada aos relatos ufológicos e ao turismo místico. O principal símbolo dessa relação é a famosa Serra do Roncador, região envolta em histórias sobre desaparecimentos, civilizações ocultas e supostos avistamentos de objetos voadores.

Outro atrativo conhecido é o Discoporto, estrutura criada após a aprovação de uma lei municipal em 1995 que reservou uma área dentro do Parque Estadual da Serra Azul para receber, simbolicamente, naves extraterrestres.

Jornalista, artista plástico e assessor da Secretaria Municipal de Turismo, Genito Santos destaca que a cidade transformou essas narrativas em um produto turístico.

“Barra do Garças é considerada um dos pontos de maior incidência de casuísticas ufológicas do Centro-Oeste brasileiro. Temos dois ícones importantes desse segmento: a Serra do Roncador e o Discoporto, que é o único lugar do mundo credenciado por lei para receber naves de outros planetas”, afirma.

Natureza e mistério caminham juntos

Além de Barra do Garças, outros destinos vêm despertando o interesse de visitantes atraídos pelo universo dos mistérios.

foto: Reprodução

Primeiro discoporto do mundo' fica em Mato Grosso e será reinaurugado em  setembro | G1Entre eles está o Morro do Pião, frequentemente citado em histórias ligadas a fenômenos incomuns, e a Caverna Aroe Jari, uma das maiores cavernas de arenito do Brasil e cercada por relatos que misturam arqueologia, espiritualidade e ufologia.

Para os defensores do segmento, a combinação entre paisagens naturais impressionantes e histórias enigmáticas cria uma experiência diferenciada para os turistas.

“Nós temos a Chapada dos Guimarães, a Serra do Roncador, além de lendas e histórias que atravessam gerações. São lugares que unem belezas naturais e uma história cheia de enigmas e mistérios”, destaca Ataíde.

Mercado em expansão

O crescimento do interesse por experiências temáticas e pelo chamado turismo de nicho é apontado como um dos fatores que impulsionam o setor.

Segundo especialistas, visitantes não buscam apenas conhecer os locais, mas vivenciar experiências relacionadas às histórias, lendas e narrativas que cercam cada destino.

A inclusão do tema na programação oficial da FIT Pantanal é vista como um sinal de que o segmento começa a ganhar reconhecimento institucional.

“O Estado tem percebido a importância desse nicho de interessados e começado a formar oficialmente iniciativas que atraem esse público. A inclusão do tema na FIT Pantanal demonstra esse movimento”, avalia Ataíde.

Na mesma linha, Genito Santos acredita que Mato Grosso reúne condições para se consolidar como uma das principais referências brasileiras do setor.

“É uma modalidade que vem se organizando e ganhando visibilidade. Mato Grosso tem potencial para se tornar uma referência nacional nesse tipo de turismo”, afirma.

Com histórias que misturam fatos históricos, tradições populares, paisagens impressionantes e fenômenos ainda sem explicação, o ufoturismo surge como mais uma aposta para ampliar o fluxo de visitantes e explorar um lado pouco conhecido de Mato Grosso: o universo dos mistérios que há décadas alimentam a imaginação de moradores e turistas.


 

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